02 junho 2020

Dia 75- 02.06.20

Produzir vídeos, áudios, lives e tudo mais  que este home office me provocou a fazer , aparece como uma oportunidade de aprendizado. 

Eu gosto de ver o lado bom das coisas , isso é  experiência que me acompanha desde SEMPRE e realmente sei que atravesso esta é chego do lado de lá mais sensível.  Mais predisposta a ouvir,  a dividir a compartilhar.  

Quando se grava vídeos é necessário saltar da cama inspirada, ter cabelo escovado,  um batom na boca e vestir-se adequadamente.  Tá que  eu não gosto de passar o dia de pijamas do batom estar sempre por aqui... mas o negócio é  de estado de espírito.  Se levantar com astral mais  elevado.

Hoje,  que o cabelo estava sujo,  e uma nostalgia louca me abateu eu gravei uma poesia, tão linda.  Utilizei imagens e um timbre de voz dos dias que a saudade aperta com força. 
Que bom que a voz está sempre pronta,  exceção bem cedo que ela é um pouco rouca.  Mas bem cedo eu não tenho acordado a muitos dias.

A sonoridade da voz que embarga de saudades quando algumas lágrimas teimosas aparecem e engasgam na garganta da gente. 
Eu sou emotiva,  manhosa até,  mas hoje,  ah  hoje eu lembrei das minhas avós.  E pra elas eu dedico a minha maior deferência,  mulheres guerreiras e fortes. 

Elas me inspiram daqui até a eternidade. 

P.s Palavras de carinho.  Poxa! De quem nunca se expressa assim.  Poxa ao quadrado. 

01 junho 2020

Dia 74- 01.06.20

Entramos no sexto mês do ano. 
Chegamos a metade de um ano,  onde dependendo do prisma que vemos... já vivemos o dobro. 
Falo de dormir por exemplo,  acordar sem despertador,  organizar armários,  ler.  É destas coisas boas de viver que quero dizer hoje. 
De dormir tarde,  ah como eu amo,  é uma espécie de rebeldia ao sistema, não precisar dormir cedo. Ficar comigo no sofá,  lendo,  assistindo filmes,  séries ,  documentários.  Tomando um chá,  um vinho uma água  e tendo o prazer de curtir a minha companhia.  Ah eu gosto tanto de ficar comigo. 

Neste mês de junho eu chego,  assustada é verdade,  mais com todos os conceitos, valores e princípios passados a ferro.  Novinhos em folha,  joguei fora alguns paradigmas,  reforcei algumas certezas.  Sou mais eu,  mais autêntica,  uma pessoa melhor certamente. 
Este junho chega e me encontra  me olhando bem dentro dos olhos e sabendo o que quero melhorar,  onde precisou crescer.
O tempo livre, o ócio criativo faz isso com a gente. 

Eu gosto de observar o movimento que eu faço como gente. 

De agora em diante o tempo vai ser sempre atual. Hoje é hoje. Espanto-me ao mesmo tempo desconfiado por tanto me ser dado. E amanhã eu vou ter de novo um hoje. Há algo de dor e pungência em viver o hoje.
(Clarice Lispector em Um Sopro de Vida)

31 maio 2020

Dia 72 e73 - 30.05 e 31.05

Um sábado diferente do de Clarice.  Este não foi a rosa da semana,  no máximo, no máximo um cravo. 
Fazem muitos sábados que falta um pouco de perfume. 

Depois dos testes e das confirmações dos casos de COVID-19 tão  próximos, as medidas de cuidado e isolamento foram redobradas.
Fisicamente todos bem! Emocionalmente em frangalhos. 


Domingo, cama,  comida,  cama. 
Nesta dinâmica o dia passou, meio estéril,  insonso e frio. 
Faltou até vontade de ler aquele livro super bacana que comecei. 
Pouca produção,  rara inspiração. 
Saudade.  
Engraçado,  quando a gente não pode ver as pessoas que gosta,  sente mais falta delas.  Muito mais.
Estamos chegando no mês de junho  e estou em casa , sem trabalhar como habitualmente, a 72 dias.  
72 dias! 
Eu tenho feito de um tudo pra me aproximar , me sentir perto,  presente,  útil. 
Eu sinto falta das minhas crianças,  eu sinto falta de gente. 

Hoje eu não tô bem.

Acredito que já passei por inúmeras fases e estágios neste isolamento.  Hoje,  parece que me acometeu uma sensação de VAZIO.  Um profundo vazio... Talvez seja o domingo a noite,  talvez não. 






29 maio 2020

Dia 71- 29.05.20

Minha mãe e minha irmã que tiveram contato com meu  tio infectado,  testaram NEGATIVO para covid 19. Graças a Deus!!!


Um alívio, uma sensação tão, mais tão, mais tão boa. 

Leveza e redobrar cuidados. 

Hoje,  retomar homeoffice total,  sem ir pra unidade. 

Meus tios e primos estão bem,  se recuperando. 


Quando será que isso tudo vai acabar???



28 maio 2020

Dia 70- 28.05.20

Na minha cidade natal,  local onde eu  trabalho, tem seis casos confirmados hoje. 
Cinco destas pessoas são da minha família. 

Santo Deus!
Procuro mudar o foco hoje é não pensar,  não ver notícia,  não ler...
Hoje foi dia de  serviço braçal !


A cabeça não está boa. 
Vou rezar,  mais. 


27 maio 2020

Dia 69- 27.05.20

Oito graus.  Assim começou o dia.  É frio por aqui e saltei cedinho , dia de bater cartão. 
A reunião bem de manhã informou que a partir da próxima semana,  não iremos mais até a unidade. Receio pelos casos de COVID que tem aparecido...
O governador, a noitinha   se manifestou e deixou livre a critério de cada município finalizar a quarentena para transporte público,  aulas e shows. 

Como assim? Bem agora que o bicho tá pegando.  Paramos muito cedo,  eu creio,  mas ... agora é momento de isolar. Eu tenho certeza. 


Será o medo da responsabilidade de responder por tudo sozinho? Nosso governador puxou pra si, uma baita  responsabilidade e hoje,  parece que pretende dividir o peso. 

As escolas particulares, as empresas de transporte e turismo,  todos tem feito efetiva pressão. 
Que  será o certo,  agora?

Lá em casa,  apreensão.  Vamos fazer o teste em minha mãe amanhã.  Não tem sintomas,  mas esteve com meu tio infectado. 

Estamos com MEDO.

A solidariedade chega de gente que nem imagina o quanto faz bem em demonstrar que se preocupa. 

Um alento,  pra estes dias gelados e cinzas que vivemos. 


26 maio 2020

Dia 68- 26.05.20

Hoje no cair da tarde fomos surpreendidos com a notícia de que meus tios,  marido e mulher,  testaram positivo para o COVID.

Estou assustada e apreensiva.
Ele esteve na casa da minha mãe na semana  passada.

Não é simples!
Este vírus infeliz está chegando tão perto.

Eu tenho medo,  por eles,  pelos outros,  por nós.


25 maio 2020

Dia 67 - 25.05.20

O que tem de gente fechada e esquisita neste mundo é uma grandeza.
Gente triste,  complicada,  que não consegue sentir,  dizer,  abrir o coração.
A gente sabe que sente,  mas parece que não sabe sentir.  Não de um jeito leve pelo menos. Sem delongas,  sem lamúrias,  sem esquisitice...
Gente que se esconde,  atrás de cargo,  de convenções de decepções antigas de medos.

A verdade é que ser verdadeiro com os  sentimentos e dialogar sobre, não é simples e as vezes até dói.

É preciso muita coragem e força  pra despir a alma e dizer exatamente quais são os sentimentos mais secretos.
É preciso ter disposição,  garra e constância.
É preciso  rasgar-se as vezes.

Não sei bem porque,  ao contrário da versão das pessoas que procuro  todo dia no mundo,  hoje pensei nestas!

Como pensei.

24 maio 2020

Dia 66 - 24.05.20

Estar com minha menina me faz melhor,  me faz feliz,  me faz humana,  me reforça a maternidade e a alegria.
Hoje separamos os casacos de lã  batida,  os mais grossos e pesados do inverno.
De alguma forma,  está tudo separado agora.
Hoje finalizou o que precisava ir.
Uma sensação de vazio mas também de alívio. Ela levou uma parte deixou outra e nos sempre seremos uma composição que resulta em um inteiro.
Ela leva com ela tudo que aprendeu, viveu e sentiu aqui  e a certeza do nosso amor.
Ela é a mais amada das filhas.
Que bom ser mãe deste mulherão.
A saudade que eu tenho dela,  está diferente,  mais equilibrada.
Quase meio ano que ela mora lá e a cada estação separamos,  brincos,  xales,  sapatos,  casacos e blusinhas... tipo um ritual de quem usava tudo junto.  Uma ligação profunda que nos cobria a pele.
Eu a amo,  sei  que  ela me ama e que sou uma mulher de sorte.
Poxa! Fui escolhida para dividir está vida com ela.
Ah!

Que sorte a minha.





Dia 64 e 65 22.05.20 23.05.20

Sexta de recuperação!
Virose infernal.



Ah sábado,  lá fora você foi catástrofe. Aqui dentro paz.
Um dia inteirinho só pra mim.

21 maio 2020

Dia 63- 21.05

Hoje preciso escrever,  tanto...
Mas estou meio sem inspiração.

Vou registrar o assunto:
Tudo bem não ser perfeito em tudo.
Todo bem ter medo , receio ou algumas marcas que o tempo vai nos deixando.

Não podemos ser SEMPRE  fortes,  despojados e tal..

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Sempre

 Sempre que me sobra um mísero tempo, eu tenho vontade de  escrever. Ele anda escasso, veloz  e teimoso. Acredito que as palavras, este espa...